Cato seus cacos em lugares desconhecidos, vielas
transpassadas de suas dores. Cores, odores a espreita d’algo que me caiba. Lá, desconhecidas
vertentes e um ser gigantescamente assustado com o bravo mundo novo, dedicado a
prazeres, estranho aos olhos, me assustam. Onde estão os sonhos carregados na
virtude poética que nos guiou?
Aos poucos, algo com quê de mistério dá
lugar a adicta sensação de perda que esse ano levou consigo. Imagino cada lugar
onde estivestes e cada pensamento advindo disso é carregado de dor e angústia
dada incapacidade em proteger-te. De mister a ausente, cuidar de ti parece
pouco dada a mutabilidade latente, consoante de voz.
Raros, repetidos rompantes, rochedos em
súplicas dedicadas a teu ser, alimentariam mendigos tocando campainhas mudas
a porta do miocárdio preso em meu peito.
Lidos, romances são fatos irreais se
comparáveis a expressão azul esverdeada provocada por suas palavras quando
lançadas a mim. Astutas, vorazes, algozes ataques. Mortíferas vogais de teu
nome aprisionando-me sem crime, com perfeição. Absolutas, assonantes consoantes
condizentes, desconcertantes escapismos proporcionais a tua personalidade
conduzindo-me ao lago\abismo da superfície em teu olhar dando-me lágrimas
negadas, tragando comigo o lenço, laço sem cor borrado, envelhecido pela
mocidade.
Adorada deusa fidedigna da Idade Moderna
devolvendo-me em dor. Odor, ardor, furor. Calor fraterno. Límpida luz medieval,
o que iluminas? Meu coração, um que de cansado a clamar, evoca-te, sublima
pulsões, corações indesejados e te mitifica, te imita por motivação em canção
afinada, em coro plenos pulmões desejado, cais atracado em navio naufragado,
cálice vazio no vinho do passado.
Cuidadosa Vênus despedaçada pela paz
altruísta de agora, compreendes ser mais que amor? Sabes que ultrapassa a dor?
Sente mais que furor? Avista a repetida paisagem iluminada em luz languida a
partir do olhar espelho lendo o lindo lugar lactante no berço ao lado?
Ao lado, a vida anda, canta, nina
canções antigas agitando velhos, mordazes corações vorazes, artífices pra uns,
coadjuvante a outros, intensamente presentes na ausência consentida dos “eus”
aforismos plantados no agora.
Ruidosa fúria ausente ,guia-me a força
céu limite impetuosa em tuas palavras livrando-me do pesadelo kamikaze de teu
céu. Dá-me teu céu sendo ação contra a tradição contradição feita em ti.
Ordene a magia escamoteada pelo medo,
com a força que tens, com a paz conveniente às palavras cantadas no século
talvez XII e as ninfas do século talvez II sendo a palavra prosa poética nos
versos de hoje, amanhã e sempre.
Leia carinhosamente palavras advindas dum
tempo mais que lembrado como clichês imutáveis na realidade do nosso corpo e
ação no nosso existir enquanto o mundo perdido cravou palavras vãs a
desconhecedores duma metafísica estritamente nossa, distantes do que foi
Patrícia.
Imitamos propósitos sem nexo
propositalmente suicidas, intencionalmente destruidores de nós. Construirmos um
agora repleto de incógnitas, suspeito em solidez. Sentimos saudades para
simplesmente sentirmos algo aproximando-nos de nós, fomos, somos planos de
ontem num presente infinitamente ilimitado, tensionalmente perigoso e limitado
pelas circunstâncias.
Nada comparável a simplicidade
sufocante nas confidentes palavras dessa manhã, ou equiparável às palavras
sempre ditas ao ápice da dissimulação, no limiar entre desejo e paixão.
Ela que brinca com dizeres como quem
desenha calçadas em ruas virgens, catalisa sonhos sem dormir, fortalece vidas
sem vida e reascende vidas inertes, é mais que vaidade, é represa de verdades
enquanto escrevo seu nome, reinvento nossa história, detesto meus erros amando
os teus, ao te afirmar Carol, aquela que é forte.
Helder Santos
02:47 am
18-01-2012
3 comentários:
Lindo, helder *-*
Assustador.
Ah,é Carol.
talvez.
Postar um comentário