terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Escrevi pra você XI

                Cato seus cacos em lugares desconhecidos, vielas transpassadas de suas dores. Cores, odores a espreita d’algo que me caiba. Lá, desconhecidas vertentes e um ser gigantescamente assustado com o bravo mundo novo, dedicado a prazeres, estranho aos olhos, me assustam. Onde estão os sonhos carregados na virtude poética que nos guiou?
                 Aos poucos, algo com quê de mistério dá lugar a adicta sensação de perda que esse ano levou consigo. Imagino cada lugar onde estivestes e cada pensamento advindo disso é carregado de dor e angústia dada incapacidade em proteger-te. De mister a ausente, cuidar de ti parece pouco dada a mutabilidade latente, consoante de voz.
                 Raros, repetidos rompantes, rochedos em súplicas dedicadas a teu ser, alimentariam mendigos tocando campainhas mudas a porta do miocárdio preso em meu peito.
                 Lidos, romances são fatos irreais se comparáveis a expressão azul esverdeada provocada por suas palavras quando lançadas a mim. Astutas, vorazes, algozes ataques. Mortíferas vogais de teu nome aprisionando-me sem crime, com perfeição. Absolutas, assonantes consoantes condizentes, desconcertantes escapismos proporcionais a tua personalidade conduzindo-me ao lago\abismo da superfície em teu olhar dando-me lágrimas negadas, tragando comigo o lenço, laço sem cor borrado, envelhecido pela mocidade.
                 Adorada deusa fidedigna da Idade Moderna devolvendo-me em dor. Odor, ardor, furor. Calor fraterno. Límpida luz medieval, o que iluminas? Meu coração, um que de cansado a clamar, evoca-te, sublima pulsões, corações indesejados e te mitifica, te imita por motivação em canção afinada, em coro plenos pulmões desejado, cais atracado em navio naufragado, cálice vazio no vinho do passado.
                 Cuidadosa Vênus despedaçada pela paz altruísta de agora, compreendes ser mais que amor? Sabes que ultrapassa a dor? Sente mais que furor? Avista a repetida paisagem iluminada em luz languida a partir do olhar espelho lendo o lindo lugar lactante no berço ao lado?
                 Ao lado, a vida anda, canta, nina canções antigas agitando velhos, mordazes corações vorazes, artífices pra uns, coadjuvante a outros, intensamente presentes na ausência consentida dos “eus” aforismos plantados no agora.
                 Ruidosa fúria ausente ,guia-me a força céu limite impetuosa em tuas palavras livrando-me do pesadelo kamikaze de teu céu. Dá-me teu céu sendo ação contra a tradição contradição feita em ti.
                 Ordene a magia escamoteada pelo medo, com a força que tens, com a paz conveniente às palavras cantadas no século talvez XII e as ninfas do século talvez II sendo a palavra prosa poética nos versos de hoje, amanhã e sempre.
                 Leia carinhosamente palavras advindas dum tempo mais que lembrado como clichês imutáveis na realidade do nosso corpo e ação no nosso existir enquanto o mundo perdido cravou palavras vãs a desconhecedores duma metafísica estritamente nossa, distantes do que foi Patrícia.
                 Imitamos propósitos sem nexo propositalmente suicidas, intencionalmente destruidores de nós. Construirmos um agora repleto de incógnitas, suspeito em solidez. Sentimos saudades para simplesmente sentirmos algo aproximando-nos de nós, fomos, somos planos de ontem num presente infinitamente ilimitado, tensionalmente perigoso e limitado pelas circunstâncias.
                 Nada comparável a simplicidade sufocante nas confidentes palavras dessa manhã, ou equiparável às palavras sempre ditas ao ápice da dissimulação, no limiar entre desejo e paixão.          
                 Ela que brinca com dizeres como quem desenha calçadas em ruas virgens, catalisa sonhos sem dormir, fortalece vidas sem vida e reascende vidas inertes, é mais que vaidade, é represa de verdades enquanto escrevo seu nome, reinvento nossa história, detesto meus erros amando os teus, ao te afirmar Carol, aquela que é forte.

Helder Santos
02:47 am
18-01-2012

3 comentários:

Bárbara ' disse...

Lindo, helder *-*

Anônimo disse...

Assustador.

Anônimo disse...

Ah,é Carol.

talvez.