Não há força contrária
que possa tirar o pensamento em ti, Carol. O cotidiano pacato da vida simples
que levo está entre afazeres domésticos e cuidar do que mais venero: minha
inspiração, você. Lembra quando seu corpo fugiu do meu? Sucessivas,
quilométricas vezes imaginei ter errado supondo uma infinidade de enganos para
aquilo se fez distância no nosso último encontro. A quantidade de cigarros
embotando o lugar ainda cômodo de sua inconstância falta como ar límpido aos
pulmões enfermos hoje em grito. Questionamentos
felizes sopram a ventos constantes criando versões apuradas de nós. Por onde andou o sorriso nos lábios fugidios
de outrora? Saudade e canção tocam energicamente na indecisão chamada mente,
designada Carol. O que nos coube, cabe a ti. A força existente em planos
perfeitos, - antes imperfeitos - faz-se íntegra sem plano algum. Não posso,
acabo fazendo planos no plano Carol cravado em nossas canções tal qual se
incrusta seu caminhar apressado pela rua de barro da minha infância.
Planos no plano que tinha
o garoto roto caminhando pela rua que hoje bailam seus passos, matam-me de
saudade. O ser desbravador no menino nada lembra o que hoje está no homem. Comedido
e temeroso, difere o garoto ofegante à rua de barro. Poluída e asfaltada, a rua
desenvolvida carrega rastros do que ontem foi alguém no momento em que você,
tão mulher e tão menina, habita a casa conhecida por coração.
Vencido, seus passos representam mais que saltos aos buracos causados por passeios vãos em terras de
ninguém. Estou consciente na inconsciência de ti mesmo quando o que falas
apunhala-me o peito arrastando o resto de esperança relativo a sua volta.
Sem planos ou esperanças,
somos o que se escreve por estradas onde nunca pisamos. Carol, por mais que
pensemos, estamos além do pensamento, o mesmo pensamento a nos distanciar do que há aqui.
Eu tenho o mundo inteiro pra salvar e pensar em você é kriptonita.\ Você
é tão bonita de se admirar\ Tão bonita (8)
Helder Santos
10:47 am
17-01-2012
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