Chegara a casa de uma forma diferente das outras, cansada , entregue a si mesma. Tirou a roupa e jogou-se no chuveiro. A água quente produzindo vapor misturou-se a seu corpo como se a alma emanasse novas idéias de si. Nem ponderou, seguiu a catalogar nas paredes ainda úmidas o sorriso ainda vivo mesmo que cansado em seus sonhos. Prosseguiu refinando lembranças boas, reciclandoruins, fazendo planos. Amanhã como será meu dia? Seu cotidiano misturava relações de ternura, repulsa, desconfiança e devaneios. Amor? Precisa de um amor maiúsculo desses que não cabem em romances. Seria o único amor que conseguiria tocá-la especialmente agora que se via numa situação não nova, inusitada, de precisar amar. Não amar qualquer um, não amar um rosto bonito,não de amar o desejo. Seu desejo era apenas amar enquanto via claramente a imagem do amor, o que sempre desejou. As paredes comungavam com a névoa causada pelo chuveiro o intrínseco desejo em seus olhos a ofuscarem levemente a imagem a ser vista. Sentia, e essa força trazida inusitadamente tocava sua mão, acalentava seu espírito. Quando o devaneio a trouxe de volta o telefone tocou.
Palavras ditas, ouvidas e o costumeiro ponderar pressentindo o novo vivo a inspirar-lhe amor, dar-lhe amor. Seus olhos fitando algo lembravam uma criança precisando da mãe, a mãe não era tudo que ela pensava no momento. O que parecia surreal chegaria em breve. Em breve era tudo que uma mulher jovem ou grisalha gostaria de sentir. Era anunciação da felicidade que até então supunha ser virtual. O olhar dizendo estou aqui, a mão soando, o sorriso. Misturava conclusões controvérsias para aquela coisa estranha que se chamava amor. Pensava dizer não, ter controle. Controle para ela era fundamental. - Cara leitora, não confunda controle como algo inato a essa moça. Algo aconteceu, algo sempre acontece e transforma o que achávamos ser imutável. Não é hora de saberes o que motivou, saberás em breve – Enquanto abria o fortuito presente que lhe chegara, conclusões mil pairavam em seu pensamento. Daria certo dessa vez? Será um desses que conseguem o que quer e vai embora? O que é essa coisa estranha chamada Amor?
Nada é por acaso, sabia disso e conjeturou colher mais informações. Seguiram-se leituras sobre o mimo. - leituras essas que descobrirás mais tarde.- O suspense antes inexistente tornar-se-ia maior que a surpresa a absorvendo em observações profundas enquanto o sim saia incondicionalmente por seus lábios sorrindo com expressão como era seu jeito lindo de sorrir. Andava devagar, paisagens iam e vinham aos cuidados de seu maior desejo. Ser feliz.
Helder Santos
01: 18 am
12-05-09
02:50 am
05-09-09
3 comentários:
Anônimo
disse...
"Precisa de um amor maiúsculo desses que não cabem em romances."
3 comentários:
"Precisa de um amor maiúsculo desses que não cabem em romances."
É... todos precisam de um amor assim. *-*
"Amor maiúsculo desses que não cabem em romances."
...
Gabi, tbm axei sensacional!
Amor maiúsculo povoa nossa imaginação ... o que seria esse amor maiúsculo, o q teria capacidade de fazer, como reagiria? ... Massa dmais!
Vlw Hélder!
^^
"Um bom poema é aquele que nos dá a impressão de que está lendo a gente ... e não a gente a ele!"
Se encaixa perfeitamente! :D
É Perfeito! Eu não canso de ler!
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