sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Sonhos de Renata I - Da chegada do amor

Chegara a casa de uma forma diferente das outras, cansada , entregue a si mesma. Tirou a roupa e jogou-se no chuveiro. A água quente produzindo vapor misturou-se a seu corpo como se a alma emanasse novas idéias de si. Nem ponderou, seguiu a catalogar nas paredes ainda úmidas o sorriso ainda vivo mesmo que cansado em seus sonhos. Prosseguiu refinando lembranças boas, reciclando ruins, fazendo planos. Amanhã como será meu dia? Seu cotidiano misturava relações de ternura, repulsa, desconfiança e devaneios. Amor? Precisa de um amor maiúsculo desses que não cabem em romances. Seria o único amor que conseguiria tocá-la especialmente agora que se via numa situação não nova, inusitada, de precisar amar. Não amar qualquer um, não amar um rosto bonito,não de amar o desejo. Seu desejo era apenas amar enquanto via claramente a imagem do amor, o que sempre desejou. As paredes comungavam com a névoa causada pelo chuveiro o intrínseco desejo em seus olhos a ofuscarem levemente a imagem a ser vista. Sentia, e essa força trazida inusitadamente tocava sua mão, acalentava seu espírito. Quando o devaneio a trouxe de volta o telefone tocou.

Palavras ditas, ouvidas e o costumeiro ponderar pressentindo o novo vivo a inspirar-lhe amor, dar-lhe amor. Seus olhos fitando algo lembravam uma criança precisando da mãe, a mãe não era tudo que ela pensava no momento. O que parecia surreal chegaria em breve. Em breve era tudo que uma mulher jovem ou grisalha gostaria de sentir. Era anunciação da felicidade que até então supunha ser virtual. O olhar dizendo estou aqui, a mão soando, o sorriso. Misturava conclusões controvérsias para aquela coisa estranha que se chamava amor. Pensava dizer não, ter controle. Controle para ela era fundamental. - Cara leitora, não confunda controle como algo inato a essa moça. Algo aconteceu, algo sempre acontece e transforma o que achávamos ser imutável. Não é hora de saberes o que motivou, saberás em breve – Enquanto abria o fortuito presente que lhe chegara, conclusões mil pairavam em seu pensamento. Daria certo dessa vez? Será um desses que conseguem o que quer e vai embora? O que é essa coisa estranha chamada Amor?

Nada é por acaso, sabia disso e conjeturou colher mais informações. Seguiram-se leituras sobre o mimo. - leituras essas que descobrirás mais tarde.- O suspense antes inexistente tornar-se-ia maior que a surpresa a absorvendo em observações profundas enquanto o sim saia incondicionalmente por seus lábios sorrindo com expressão como era seu jeito lindo de sorrir. Andava devagar, paisagens iam e vinham aos cuidados de seu maior desejo. Ser feliz.

Helder Santos

01: 18 am

12-05-09

02:50 am

05-09-09

3 comentários:

Anônimo disse...

"Precisa de um amor maiúsculo desses que não cabem em romances."

É... todos precisam de um amor assim. *-*

Jp : ) disse...

"Amor maiúsculo desses que não cabem em romances."

...

Gabi, tbm axei sensacional!

Amor maiúsculo povoa nossa imaginação ... o que seria esse amor maiúsculo, o q teria capacidade de fazer, como reagiria? ... Massa dmais!

Vlw Hélder!

^^

Unknown disse...

"Um bom poema é aquele que nos dá a impressão de que está lendo a gente ... e não a gente a ele!"

Se encaixa perfeitamente! :D
É Perfeito! Eu não canso de ler!