segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Ânsia de vós, sonho nos meus sonhos.


Tenho propósitos sólidos, Meu Deus,

Metas tão concretas que se esvaem sobre uma escrivaninha sem papel,

Objetivos tão verídicos quanto bronzear num dia de sol chuvoso.

Minha barba cresce na mesma velocidade que se esvaem ideais.

Estou prostrado em algum lugar no século II antes de Cristo e nenhuma máquina moderna pode me tirar daqui.

Pergunto-te Felipe, onde estão meus sonhos ?

Estariam eles onde estou ou longe de mim?

Teria eu sonhos reais ou estar onde estou e estão eles não é mais que um sonho?

Seria possível entrar no sonho em sonho?

Felipe, estou cansado e minhas pálpebras secam os olhos de lágrimas,

Estou faminto e minha fome excede necessidades físicas,

Estou de pé e nada é tão íngreme quanto meus sentidos e a noção do que tenho deles.

Reproduzo palavras como se fora um gênio às avessas julgando-me tão insignificante quanto o universo que carrego na ideia e repito na ação.

Conduzo a vida tal qual um carro desgovernado esperando vaga n’algum estacionamento vazio.

Sou tão egoísta que minha vontade não vai além da afirmação em mim mesmo que fortalece minha personalidade.

Porém anseio por ti, musa silenciosa.

Por ti grito e tua subjetividade adormecida fomenta meus versos.

Não importa que ela pense, Felipe, que sou maluco ou insignificante nesse universo que construí, afinal:

Que loucura seria maior que a da negação da própria personalidade?

Ando tão altruísta que qualquer mendigo me daria esmolas para alimentar a latente bondade em meu coração,

Tenho tanta fé que Deus fala por mim em línguas diversas afirmando que não posso perder a fé por ela mover mais que montanhas.

Felipe, o desejo de sonhar é tanto que sigo para a cama com o pensamento em dormir para saber se estou realmente a sonhar ou se sou o sonho que ela prefere acordar.

Caro amigo, um dia elas entenderão, um dia acordaremos e ou, dividiremos o travesseiro com alguém.

Helder Santos

00:03 am

22/11/2011

3 comentários:

Jp : ) disse...

Legal. Realmente qd falamos em sonhos, desejos, nada é tão concreto q não se possa acabar ou tão abstrato q não se possa tocar.
Só fikei em dúvida no interlocutor ou interlocutores do texto, mas a essência, a ideia está muito boa.
Parabéns!

LipeBlack disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Helder disse...

Obrigado, sr. Jp! Suas análises conseguem melhorar minha forma de escrita mesmo achando que preciso entender bem mais antes de me aventurar em algo mais sólido. Valeu!