sábado, 5 de setembro de 2009

II – Cheia de alegria


E Renata agigantava-se ao diminuir o campo de ação de sua destinada infelicidade, ao ampliar visões da pretensa felicidade que regozijara seu ser. De pequenina a gigante no desejo de amar que antes a sufocara e agora a faz respirar com leveza. É o mundo lhe ditando regras básicas e ela aprendendo. Não o aprender decorativo dos livros que não lia, não o aprender mecânico da escola que sempre odiou. O aprender da vida que a espera, o apreender sobre si, o seu maior desejo. Eis o catálogo de Renata em não ter a pressa dos apaixonados tendo a ânsia dos que lutam contra a morte vivendo dia após dia na pausa continua em sua respiração movendo-a ao olhar analítico sob o diafragma. O aliciador lugar em seu corpo antecipava paixões antes mesmo do olhar, antes mesmo do pensar. Esse grito interior corroendo tantas vezes às noites em claro, esse clarão provocado pelo calor de seu corpo ao encostar-se ao amor de sua vida. Tudo controlado por medo, angustia e solidão de não ser passado. Tudo que fizera antes, planos, tudo que está agora. O sempre incerto ser do presente num futuro ignorado. Aquele olhar, o olhar único de quem seria apenas uma pessoa passageira em sua vida ganhara outros contornos, outras perspectivas. É Renata recordando.

- Segure minha mão, a imagem projetada pelos meus olhos não é exclusivamente sua. É a tal felicidade que vejo em seus olhos quando olha os meus, é o calor alucinante de sua respiração próxima a meu rosto, é seu sorriso.

Como num diário escrito antes dos fatos acontecerem à história foi contada entre olhares, gestos, palavras unilaterais nos beijos não dados. Ela se entregou. Já era noite e a esperança do amor verdadeiro e incondicional criará um mundo próximo ao desejado, longe do real. O real ainda seria distante para ela. Ela sempre condicionada ao irreal se limitaria ao destino rendendo-se as mãos gélidas do presente distante num futuro incerto. As palavras ainda confusas em sua percepção confirmavam-se no olhar do rapaz buscando-a noites a fio, seu nome, Joe.

Renata pensou:

- Como posso se ainda não estou pronta?

Vendo nesse olhar o pensamento citado acima, Joe consegue ouvir metade de seu sonho pelo olhar nos ouvidos da boca da garota.

- Você é tudo que sempre quis, é o quero, é como se estivesse a pessoa certa a certo dia na hora errada.

Leitora, certamente isso desanimaria se fosse dito a você, certo? Não nesse caso, ele sabia a dosagem do que ouvira e mais ainda, sabia que era a coisa mais sensata a ser dita naquele momento. Percebem como são parecidos, Renata e Joe?

O reflexo de um dia a mais nos sonhos a mais de Renata causava suspense, dúvida. A realidade seria mais simples se não se tratasse de uma história sobre sonhos de alguém. Ela dormia quando o celular tocou. Ao despertar sorridente da espera atendia como nunca. Antes de condescender levemente ao que sentia ouviu a voz desejando boa noite, mandando um beijo. Retribuiu. Voltou a dormir.

Helder Santos

02:34 am

05-09-09

2 comentários:

No Meu Mundinho .. disse...

O aprender da vida que a espera, o apreender sobre si, o seu maior desejo. -> gostei desse trecho *-* , muito lindo , retrata que devemos aprender o que a vida tem a nos oferecer . ;D


// Deeeninha :*

Helder disse...

Oww Deninha, vc é um amor =*