quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Coadjuvante nos filmes de amor no papel.

Sempre me considerei um menino. Ser chamado pelo termo “homem” fez parte da condição geral da espécie. Ir a escola da forma desengonçada que só eu sabia, tomar banho de chuva aos trinta, divagar adulto nos olhos adolescentes de uma menina. O que fiz, o que faço e o que penso tentem ao mesmo lugar. O menino em mim habitando o corpo homem, o espelho juvenil da infância.

Homem e menino comungam o mesmo centro ao lembrar-me o autorama em que habilmente desviava os carrinhos dos “meus” enquanto esses batiam de frente e sorriam. Também sorria ao julgar-me diferente ante iguais. A necessidade de distinção no futuro seria o desejo de igualdade. Aos vinte entre hábitos infantis amava o que não me amava, vivia o que julgava ser a vida, ainda era criança. Vivia...pernas longas, negros cabelos lisos, um sorriso. O modelo clássico de beleza a atrair com um toque distante, a me prender num olhar sem garras, me tentava. E tentando mesmo se tornava alguém, um alguém que não sou, o ser vivendo no reflexo de seus olhos.

Mãos suando frio, lábios secos. Ela passando...ele não era mais criança quando o filme acabou.

Helder Santos

09-09-09

1:01 am

Aos leitores assíduos desse que vos fala especialmente a Maria Gabriela, JP E Djennifer. Obrigado pela força! =*

7 comentários:

Unknown disse...

"E tentando mesmo se tornava alguém, um alguém que não sou, o ser vivendo no reflexo de seus olhos. "

Eu gostei em especial dessa parte! ela me faz lembra alguem, eu...
AAH! de nada pela força; vc merece, escreve muiiito bem (;

Anônimo disse...

Sempre soube que era um menino no corpo de homem :D
Muito especial vc!! E obriigada pela dedicação, vou sempre te dar forças, vc merece.
Beeijinhos :*

Jp : ) disse...

Quem me conhece mesmo sabe que, as vzs, não gosto de elogiar ninguém... Leonino que sou, prefiro ser elogiado. Mas, não podemos ser hipócritas e fechar os olhos para o belo que existe ao nosso lado.

Putz, seus textos são muito bons ... As imagens poéticas que suas palavras criam, mesmo em proza, são incríveis! Gosto muito! ^^

"Mãos suando frio, lábios secos. Ela passando...ele não era mais criança quando o filme acabou."

Reflexão: o que seria esse filme, alunos?

Jp:)

Helder disse...

Quem escreve usa dialética a partir da qual os textos giram em torno das musas que, por crédito ou idealização seguem permeando esse ambiente poético. Segundas interpretações seguem a partir da leitura, afinal leitura tem uma função clara, criar um novo mundo, cada um cria o seu. O meu é esse mundo perdido. =) Valeu gente =D

Jp : ) disse...

Muita tensão dissonante! Bacana!

Unknown disse...

0uito legal ficou esse!
O fim tá muito massa véy!

Helder disse...

"Como se faz um fim" é a máxima pra quem deseja começar,adoro construir grandes finais, grandes recomeços, um "renascer". Dissonate? Há algo mais contraditório que vida? Alguém diga,, por favor, grite! Viver é a grande contradição do que é estando por vir. "tudo azul, vou sorrindo, vou vivendo". Obrigado, sempre obrigado =**