Palavras são palavras, não sei o que Patrícia quis dizer quando afirmou sermos indivisíveis, eternos. Falou a todos pulmões de um destino reservado para nós; sempre que falava algo de efeito eu acreditava que meu mundo era realmente bom, que minhas qualidades de inteligente, simpático e astuto eram de fato reais. Tais qualidades desapareciam quando, de fato Patrícia parecia falar mais sério, “jogando Deus na minha cara,” fazendo-me idiota. Era como se quisesse, por alguma razão, provar que somos imperfeitos, que por mais qualidades que tenhamos colocando-nos ao lado de deuses, temos defeitos que nos fazem patéticos. Personificou-me paradoxalmente na expressão tosca de ser ódio e amor. Até pensei ser comum, mulheres e homens amam odiando, odeiam amando. Mais um engano, com Patrícia, máximas de relacionamento não passavam de brincadeira de criança, então brincava sem me divertir, acho que era o brinquedo, será?
Era uma manhã de agosto, não havia nada Augusto em mim, sentindo uma solidão aterradora o telefone ao lado da cama era a única ponte entre a total solidão e a voz acalmando o espírito, escapismo: tudo que fiz na vida, que fiz da vida foi fugir? Perguntei coisas estranhas a mim mesmo passando a acreditar ser dois, Patrícia, mesmo distante me faz acreditar não ser UM, indivisível, imutável, ser dois, frágil, indefeso, influenciado.
Fugindo como de praxe, ligo o rádio buscando companhia e até ele joga verdades incontestáveis na minha cara:“É só saudade mas dói tanto quanto amor, é só seu rosto que aparece no televisor”. No salto entre desejo e medo, decido não fugir, apanho o telefone que a esse momento sorria pra mim, aperto a tecla “rediscagem” sem necessidade, há apenas um número em meu telefone. OCUPADOO, esse foi o grito do meu coração, mais uma , duas , cinco mil vezes. Enquanto as mãos suavam e apertavam as teclas, o soluço mesclado de lágrima e desespero tomava toda a casa, ninguém ouvia mais que eu, sentia mais que eu, sofria mais que eu. Apaguei...o telefone tocou, atendi estabanado, era Patrícia dizendo oi.
Helder Santos
5:13 pm
20-08-2009
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