É impossível mensurar a alegria nascente em meu coração a partir de aceitações ainda incertas num sentimento a mim latente. Olhando pela janela, Patrícia trouxe a tona memórias adormecidas nos meus melhores sonhos.
Caminhávamos banhados por uma lua inexistente aos tempos de agora. Friorenta, tremia com a mínima brisa, sorria com mínimos gestos denunciando a cor visceral em seu toque. Espectadores de nós e eu, pouco entendiam sobre o singelo sorrir da menina usando blusa pólo masculina e, sendo eu, novo em situação de ceder, estendia, sem camisa, um tipo de coragem que precisaria mais tarde acentuando o valor em sentir frio por alguém tão especial.
Meia noite, sinto o sino da igreja ao lado se misturar ao estrondeante vibrar dos nossos corpos e o ensurdecedor barulho analógico num celular .
- Alguém casara essa noite? Por quem badalavam os sinos?
- Alguma tradição católica explicaria.
- Não entendi, justo nesse dia?
Sons uniam-se distantes em perfeição. Sinos por si não haveriam de despertar-me. Quanto ao celular, esse teima em tirar minha paz, tomar meu sono. Por vezes esperei outro toque da voz suave a quem destino versos, pessoalmente ou via o número ao qual não devo ou posso discar. O toque “malemolente” de quem me lê, o cheiro azul-púrpura de seu sorriso me levando ao desejo incontrolável de não saber do amanhã. Mas, essa noite, não. Precisava descansar, misturar tonalidades em aquarela restante e respirar o sabor em mãos perfume adolescente, recém renascidas mãos ao tocar seu rosto. A palma da mão escorregando em minha face, desconhecedora do poder sobre mim. Sem percepção ou desejo, numa intensidade frenética, palavras ditas badalam sinos do passado. Visitas quase que diárias, blusas folgadas delineando curvas num bailar de cabelos cheios em sensualidade pela rua onde sempre transitei. A ausência de sua voz agitada “passeando” de rouca a estridente remete a fachada simples da (na) calçada telespectadora desses passos apressados sugerindo cuidado nas calçadas desconhecidas a mim no final do nosso mais breve encontro . A vida sem minhas lembranças no “brilho eterno” da lembrança em mim assistindo pela calçada, você, pela janela, pegar o celular, ligar pra outro alguém. Olhando pela janela, Patrícia fez surgir uma alegria imensurável em meu coração.Com camisa pólo, essa noite, senti frio.
Helder Santos
08:00 pm
09-09-2011
2 comentários:
Que Patrícia de sorte...
É!
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