Chamas do passado atiçam o vulcão subjetividade adormecido em meu coração.
Não há música ou gesto de carinho comparável ao doce-confuso sentir setembro em meu coração. A gosto, angústias “agosto” de anos, sucumbem-se quando um simples domingo dilatou meu olhar com a presença real dum ser cuja fisionomia não mudará em minha mente e na própria representação da realidade. Bela, Cálida e Sutil... Ela, demorando a reconhecer-me, sorriu. Nos segundos desajeitados entre a confirmação torrencial do ser idealizado nela e a pretensão de um sorriso recíproco, não relutei. Havia certeza, despudor em mim. Serenos, olhos brilhando em mel anunciavam a púbere alegria característica Daquela que povoa meus sonhos como o ar a purificar-se nos pulmões. Patrícia sorriu convidativamente enquanto dizia - “senta logo”. Sem hesitar seu comando, o outdoor em minha face antecedeu futuras palavras - chamas do passado atiçam o vulcão subjetividade adormecido em meu coração. Sem maiores dificuldades o consciente trouxe a tona o que aconteceu e não aconteceu nos curtos anos entre a torrencial paixão sublimada em mim, real a Ela e a longa e crucial adoração objetiva em mim, “desinteressante” a Ela. Não há palavras existentes, exprimíveis em qualquer língua que possam ser fidedignas e ao mesmo tempo práticas a ponto de relatar a objetividade essencial a cor café em seus olhos e a saudade colossal em meus, seus dedos secando a água do meu queixo a mesma intensidade dos áureos, saudosos anos. O coração palpitava. Palavras saíam aceleradas no verão após longo inverno em mim. Havia sonho, devaneio, sublimação, resignação, atitude e medo nelas. Não estava só, Patrícia falava em essência e confiança enquanto sorria de prazer assistindo o estalar de seus dedos pelos meus. Saudade, paixão, devaneio, todo e qualquer sentimento antes presenciado não pode comparar-se a satisfação-espanto apresentada por Ela enquanto peito e coração deleitavam-se ao narrar o que sabiam sobre Aquela que os controlava sem saber.
Registros atabalhoados em cenas reais de um passado aparentemente próximo a Ela vieram à tona preenchendo de esperanças o “escrevi pra você” e, numa espécie de fechamento de ciclo, me senti gradativamente liberado e preso ao que sei existir enquanto subjetividade real por dentro e objetividade latente Nela. Mas, não me senti só, não conseguiria mesmo se houvesse vontade. “Ponto a ponto”, desculpa e perdão homogeneizavam–se sem dor ou mágoa.
(Continua...)
Helder Santos
06-09-2011
07:38 pm
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