Parte I
Gordinhos como nós, são felizes. Confesso ter sido possuidor de uma infância agitada. No futebol , enquanto todos eram ágeis, exímios velocistas, eu era o goleiro; No pega-pega, procurava uma posição que pudesse alcançar os menos destemidos. O menos destemido era eu. Todos me pegavam, não pegava ninguém. - acreditem, isso se repetiria de outra forma no futuro e , igualmente triste salve devidas proporções - Nem por isso deixei de ter uma infância feliz, tinha amigos, eles gostavam de mim, afinal, sempre tinha lanche em casa, eles adoravam, eu também, só eu engordava.
Enquanto meu corpo ganhava volume e meus desejos resumiam-se ao que comer no almoço, os amiguinhos namoravam. Até o fatídico dia de verter-me em paixão, nem tinha ideia do que seria aquilo, algo esquentando por dentro. Um calor. Suava frio. Crendo ser parte do processo digestório, pouco me incomodei. Continue comendo. Comia , comia, na verdade, nada comia.
As porcarias ingeridas por meus amiguinhos eram muito mais deliciosas e, eles levavam uma vida nova sem pensar em comer aquilo que para uns seria super nutritivo. Esse algo novo, esse despertar, que a noite, se chama polução, pelo dia chamasse sexo. Seguidas noites sofrendo com algo novo, quente e distante da realidade dos meus amigos, eles tinham namoradinhas. Não as tratavam como - quem sabe elas merecessem- as tratavam! Elas gostavam. - gostaria de tratar alguém , pena que o mais próximo de tratar que conhecia era quando mainha preparava peixe. Meus amigos também comiam peixe, adoravam. Quanto a mim, restava-me o peixe de minha mãe - Elas deviam gostar muito, estavam sempre com eles. Ao passo que meu corpo tomava formas colossais, as meninas tomavam formas delineadas e os garotos cresciam, não na horizontal como eu, cresciam verticalmente.Ah, essa história continuará com meu coração batendo, batendo tão forte quanto um cardíaco, tão pesado quanto o mundo, tão distante quanto o infinito de não ter... (continua)
Helder Santos
10:11 pm
24-08-2010
10 comentários:
aaah, adoro esse texto, continue, continue :)
oh céus! nunca imaginei realmente como é difícil a vida de gordinho na infância e adolescência... eu ja me preocupava em como me chamavam de eskeleto, canela de sariema, macarrão escorrido, olívia palito... e por aí vai, era tao feia, tao treventa q o primeiro cara q resolveu me dá um selinho eu tinha quase 16 anos, hj as meninas de 16 ja são quase avó =( mas eu superei isso, continuo seca [deve ser carma], mas hj to mais feliz, me amo mais e isso basta.
continue seu texto, eu amei. ^^ adoro tu
adorei prof , saudades !
continua escrevendo ...
:D / MB
Queeeero continuação viu?
Adoreei! *--*
/Eleinha D.
Humm.. Interessante, Helderzito!
humm, bem profundo... tbm quero continuação.
Duda;)
mt, mt, mt bom !!
estpu esperando a continuação.
Muito bom viu? Parabéns!!
E acho, que eu nem preciso dizer que quero urgente a continuação :)
que história lindaa, adorei.. quero a continuação!
Texto gostoso de ler, Helder... continue a escrever. Introspectivo, mas não cansativo. beijos
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