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“Dorme em paz, já é madrugada.
Não dê ouvidos aos ruídos, a essa falta de ar
Meu amor, não pense mais
Feche
Deixe o sono te levar
Pelo escuro.”
Tocava alto madrugada adentro. Não sabia onde você estava. Pensava comigo alguma forma mágica que pudesse trazer-te sorridente ao reduto do nosso amor. Sonhos, paisagens irreais que deixaste aqui. Fantasias melodiosas em canções tristes que escuto sozinho.
Soluços ritmavam o que chamam de amor, o que chamo... saudade. Metáfora florescente nos que não sentem admirando-a nos outros; tempestade fugaz nos que sentem. Irreversivelmente sozinho, nem música, nem silêncio controlavam o impulso destrutivo de você ser quem é, de representar o cálice vazio na minha sede, o mar de ilusão nos meus sentimentos, a fúria corrosiva no meu pensar. Estávamos sós. Papel, caneta e o que julgo literatura: sua ausência mordaz em presença ausente, meu medo levando-me a palavras inteligíveis pairavam sob a casa num sentimento angustiante, barulhento silencioso de adeus. Tudo que devora, que seca, que surge sumindo antes de sermos. Então não. Sigo a messe voluntária. Alcanço o silêncio. O grito metonímico de ser seu. Sou seu! Nada mais que isso:
Tomas meu espírito, catalogas minhas crises. Consome minha humanidade. Endurece-me à vã expectativa de ser outro eu, o que sonho ser e não fui. O que desejo e não tenho. O que imaginei ser sem nunca ter sido. O que grita silenciando-me: sua ausência de nunca ter estado e ter ido. Sua presença em nunca estar e corroer-me a ideia de virdes que nada sou além daquele que te ama. Daquele que conta nos dedos o momento de ser seu que não vem. Me sinto só e sua ausência potencializa tal solidão afastando-me da única presença que tenho, o respirar o ar que é você, o perfume agora desconhecido, a vazão feminina distante por seres personificação do que amo noutro ser. Quando que, repetidamente a canção toca a frase levando-me a dormir.
“Formas voláteis do nosso amor
Todo esse ar pra respirar
Eu não vou conseguir
Faz muito tempo, eu sei
Eu errei mais uma vez
Quantas mentiras, quantas verdades
Me esqueci de te contar”
Helder santos
08:26 pm
21-02-10
Helder santos
4 comentários:
LIINDO *--* SEMPRE COM PALAVRAS BELAS NOS MOMENTOS CERTOS :D
Que coisa mais linda *-*
:***
(LL.
"Ter cautela ou seguir furacões
Deixa o sono te levar
Deixa eu te ninar
Dedilhar os teus cabelos
Teus pesadelos vão terminar
Já é tarde pra mais uma rodada
Seus problemas e dilemas não estão mais aqui
Tanto faz ser vítima ou culpada
Abra os olhos e as janelas
Deixe o sol te iluminar
Deixe tudo pra lá."
Obrigado Dj e Gabi =*
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