domingo, 19 de julho de 2009

Três


Lembro dos primeiros encontros, ela fazia planos, falava da vida como um lugar a ser explorado, sempre que escutávamos Pink Floyd ela viajava, lançava teorias de como seria um relacionamento perfeito, de como pessoas se encontram, se perdem, se amam, deixam de amar, Patrícia tinha esse dom, eu viajava com ela, não sabia como não me envolver estava nisso até último fio de cabelo, era amor. Perguntei por que não retornava minhas ligações, ela poderia dizer que odiava telefone ou que não queria falar com seus pais por perto, eis o que ela disse.

- A vontade de sentir sua voz é maior que a razão, às vezes te ligo, não consigo evitar o que preciso. Mesmo parecendo infantil não consigo ser ausente, o abrigo da sua voz é maior que a dúvida do lugar que você está agora. Nem faz tanto tempo e já sinto sua falta, não ver seus olhos é sinônimo de dor, é como se algo faltasse em mim estando em você... todo esse brilho, toda energia de garoto que não para quieto e mesmo parado é movimento me fascina, envolve, unifica o antes sedimentado, adoro. Certa vez li algo interessante, uma menina gostava de um cara, eles nunca se encontravam por ambos temerem como seria. Num certo dia o acaso fez às vezes do encontro, estão juntos até hoje. A vida é feita de acasos e certezas, a vida é algo imprevisível, quem sabe essa qualidade não seja intensa, louca, apaixonante. – disse ela.

Como dizia, nada foge ao olhar atento da menina, nada escapa de seus sentidos. Instinto deveria levar seu nome, sobrenome, apelido. Instinto é ela própria.

– Sempre imaginei que amor seria algo completo, e que as pessoas não temeriam esse poder catalisador do amor, achei ter amado outros garotos, achei que amor seria só felicidade, sempre choro quando amo, tenho chorado mais ultimamente, não conseguir parar de pensar em você faz com que eu precise parar de falar com você. Palavras somem, medo surge e mesmo você se mostrando próximo não consigo te ver, tenho medo, é uma angustia que toma meus sentidos, minha razão. Meu mundo se vai quando você chega. – Dizia isso com um olhar tímido que qualquer um negaria malícia.

- Não fique assim, entendo o que sentes , carrego comigo a dor, a alegria de sentir, te amo! Te amo. Repetia essas palavras sem temor algum, sabia que ela precisava ouvir a verdade, sabia que nós éramos verdadeiros.

Na verdade desconhecia como agir nessas horas, desconhecia a mim mesmo. Ela, só ela me fazia ser o que sou, pensar como pensava, ingenuidade a parte, acreditava nisso, acredito até hoje? Não sei, nem você sabe.

Calmamente ouvi uma palavra molhada em soluços de choro:

- Te amo. Volte. Disse minha pequena.

Janeiro de 2009.

Helder Santos

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